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Uma luta contra a própria consciência

09 de novembro de 2021
2 min de leitura

Clássico de Dostoiévski, 'Crime e castigo ganha' versão em quadrinhos, adaptada e ilustrada por Bastien Loukia

“Ser ou não ser igual a todas as outras pessoas? Eis a questão”. Numa paródia a Hamlet, de Shakespeare, é esse o dilema que atormenta Raskólnikov, protagonista de Crime e castigo (LeYa, 160 pp, R$ 45 – Trad.: Carolina Selvatici), publicado originalmente no século XIX por Fiódor Dostoiévski e que ganha agora, uma versão em quadrinhos adaptada e ilustrada por Bastien Louki. Raskólnikov é um jovem que teve que abandonar os estudos por falta de dinheiro. Sem perspectivas, perambula pelas ruas, observando as pessoas à sua volta. Ele é um pensador, mas está passando fome e não consegue pagar o aluguel do cômodo estreito em que vive. Sente-se oprimido pela pobreza. Mas o pior de tudo é que essa situação dramática e humilhante contradiz sua crença pessoal de que ele é diferente da maioria dos homens e está destinado a um grande futuro. No entanto, ele se transforma num caldeirão de ódio prestes a explodir. Convicto de que a moralidade comum não se aplica a ele e de que precisa agir para o bem da humanidade, comete um crime bárbaro, mas o que atrapalha, de fato, seu caminho de sucesso é um adversário implacável: a sua consciência. Raskólnikov, que se achava tão especial, se deixa abater pela culpa e se vê perseguido por ela em todos os momentos.

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Talita Facchini

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