Um intercâmbio entre arte contemporânea e cultura popular no Brasil
Publicado pela Cobogó, livro reflete sobre o encontro do artista Carlos Vergara com o bloco de carnaval Cacique de Ramos
Em Carnaval-Ritual: Carlos Vergara e Cacique de Ramos (Cobogó, 192 pp, R$ 25), o escritor, pesquisador e curador Maurício Barros de Castro oferece uma análise crítica do encontro que resultou em um dos mais importantes intercâmbios entre arte contemporânea e cultura popular no Brasil. Nos anos 1970, o fotógrafo e artista plástico Carlos Vergara passou a, em suas próprias palavras, “olhar para fora” de seu ateliê em direção ao carnaval de rua do Rio de Janeiro, mais precisamente para o bloco Cacique de Ramos. Com sua câmera fotográfica e olhar para a realidade social do Brasil, representada pelo carnaval como manifestação popular, Vergara produziu uma série de fotografias que tornaram-se ícones das artes contemporâneas brasileiras. O livro costura um recorte que tem início com a Ex-Posição, mostra realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1972, e termina com a 40ª Bienal de Veneza, oito anos mais tarde. Assim, tomando como base um amplo material (documentos, imagens, entrevistas, filmes, correspondências, projetos), o autor constrói uma crítica apurada a partir de um trajeto que acompanha a produção de Vergara junto ao Cacique de Ramos nos “anos de chumbo” da ditadura militar ao início da redemocratização do Brasil.
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