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Entre desejos e deveres

01 de julho de 2021
2 min de leitura

Publicado pela Instante, livro de Paola Masino traz uma crítica ao fascismo e à rígida noção de feminilidade que ele promoveu

Sujeita à censura antes da primeira publicação em 1945, Nascimento e morte da dona de casa (Instante, 256 pp, R$ 69,90 – Trad.: Francesca Cricelli), traz uma crítica ao fascismo e à rígida noção de feminilidade que ele promoveu. Das páginas do livro, vibram questionamentos sobre maternidade, trabalho doméstico e o autoritarismo contido em macro e microrrelações, sempre com acentos humorísticos, surrealistas e o instinto rebelde da italiana Paola Masino. Saindo de seu amado baú cheio de migalhas de pão, livros e enfeites funerários esfarrapados, a protagonista é uma menina sem nome, rosto ou
endereço, ciente de seu destino: conformar-se às expectativas burguesas em relação à mulher, ter a imaginação selvagem controlada, e a inteligência, ocultada. Em suma, ser dona de casa. Temendo matar a mãe de desgosto por sua recusa a se enquadrar, concorda em se comportar como uma jovem “normal” e tornar-se desejável ao universo masculino. Em um caótico baile, celebra sua entrada na sociedade e começa uma nova vida no casamento com um tio mais velho, rico e de hábitos aristocráticos. Como num conto de fadas às avessas, em que o fantástico e o surreal se infiltram nas malhas de um território dominado por regras, a Dona de Casa encontra no devaneio e nas reflexões mordazes as únicas vias para escapar da realidade que se impõe e sobreviver a esse embate.

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Talita Facchini

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