A ideia abstrata do romance
Em novo livro, Julián Fuks faz uma revisão crítica da trajetória do gênero romance ao longo de seus supostos quatro séculos de existência
Para abarcar algo tão vago e tão vasto quanto a história de um gênero literário, Julián Fuks definiu como objeto deste livro ensaístico não o romance em si, mas a ideia abstrata de romance, tal como proposta por uma série de romancistas canônicos em ensaios, prefácios, cartas, biografias, testemunhos, entrevistas e em algumas passagens de suas ficções. Defoe, Prévost, Fielding, Goethe, Flaubert, Dostoiévski, Proust, Joyce, Woolf, Beckett, Macedonio Fernández, Cortázar, García Márquez, Vargas Llosa, Coetzee e Sebald são alguns dos nomes revisitados. Romance: História de uma ideia (Companhia das Letras, 216 pp, R$ 59,90) se estrutura numa sequência de ensaios que passam pela duvidosa ascensão do gênero, em um tempo exato e espaço restrito, pelo seu questionável apogeu, seguido da tão falada crise do romance, para, enfim, chegar nas marcas já perceptíveis de uma reascensão. Fuks não pretende com o livro, escrever a (impossível) história do romance, mas sim a fazer “o comentário possível sobre uma história que outros já tentaram contar algumas vezes”.
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