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O trauma da guerra

15 de março de 2021
2 min de leitura

Escrito por um ex-combatente da guerra, 'Cherry' aborda o trauma persistente da guerra para toda uma geração de jovens americano e os custos sociais e psicológicos do vício desses jovens

Cherry: Inocência perdida (DarkSide, 352 pp, R$ 64,90 – Trad.: Diego Gerlach), romance de estreia de Nico Walker, expõe com crueza a violência da guerra, o ambiente nocivo da obsessão bélica dos EUA, a dependência das drogas e os rumos perigosos e autodestrutivos de um protagonista vívido como a realidade. Nico Walker tinha apenas 20 anos quando foi combater na Ocupação do Iraque (2003–2011). A experiência traumática deixou marcas emocionais profundas e, embora tenha tentado se readaptar à vida normal após voltar aos EUA, uma depressão acabou levando-o a buscar conforto nas drogas. Viciado em heroína e sem grana, ele assaltou dez bancos em quatro meses. Preso em 2011, recebeu uma sentença de 11 anos. Encorajado a aproveitar o tempo de prisão para se dedicar à leitura e à escrita, Nico Walker concebeu Cherry, seu primeiro romance, enquanto cumpria a pena. Na obra, o autor combina temas diversos como as cicatrizes provocadas pela guerra, tão difíceis de curar, a angústia de viver com transtornos mentais não diagnosticados e como o vício por drogas pode encaminhar o usuário à completa solidão. Escrito de forma coloquial e realista, o livro convida o leitor a um mergulho profundo na mente do seu narrador irônico e mordaz.

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Talita Facchini

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