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A sulfurosa Gisele Corrêa Ferreira

26 de novembro de 2020
3 min de leitura
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Idealizadora do Festival Literário de Poços de Caldas é a convidada dessa semana do PublishNews Entrevista

Pra muita gente, o período de isolamento serviu para revisitar guardados e revirar baús. Com Gisele Corrêa Ferreira isso não foi diferente. Nessa semana, ela participa do PublishNews Entrevista, programa que quer formar um arquivo da memória editorial brasileira. E, na conversa que teve com André Argolo, a idealizadora do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) conta que encontrou um caderno de quando, ainda muito menina, registava alguns de seus escritos. Nascia, naquela época, o amor pelos livros. Dessa época, ela se lembra de Fernão Capelo Gaivota, livro de Richard Bach, que a deixou encantada e marcou a sua formação leitora.

Escolheu fazer relações-públicas e, ainda muito jovem, fundou na sua cidade natal – Poços de Caldas, no interior de Minas Gerais conhecida por suas águas sulfurosas – uma agência de eventos, publicidade e relacionamento com a imprensa da região que atendia clientes corporativos, majoritariamente.

A primeira fase da empresa foi interrompida por uma mudança. Gisele foi morar na Suíça, um país – nas suas palavras – “cinza de pouco sol”. Sem dominar completamente o idioma e sem uma rede constituída de amigos, os livros foram os seus maiores companheiros. O período em que morou na Europa marcou, na sua avaliação, um reencontro com a literatura.

Em 2003, retorna ao Brasil, com a certeza de que queria montar um festival literário em Poços de Caldas, cuja primeira edição aconteceu em 2006. “Eu me identifico, de corpo, alma e pensamento com esse universo da literatura”, disse no papo com Argolo. Mas reconhece que é um mercado “osso duro de roer” do ponto de vista financeiro. “Parece que o tempo todo a gente está tirando leite de pedra”, disse. “O Brasil ainda tem muito a fazer em relação à leitura e ao livro”, completou.

Na conversa, Gisele falou ainda dos desafios impostos pela pandemia. O Flipoços já estava com a sua programação fechada e, abruptamente, tudo ficou em suspenso. “Fiquei dois meses me sentindo mal, um vazio, uma angústia, um silêncio interior ensurdecedor”, lembrou dos primeiros tempos de isolamento social. O Flipoços aconteceu de forma virtual e Gisele disse que não está muito otimista para que o evento – tradicionalmente realizado no primeiro semestre – volte a ser presencial em 2021.

Gisele contou ainda histórias de personalidades literárias que já passaram pelo Flipoços. Ariano Suassuna, Rubem Alves, Adélia Prado, Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro deixaram marcas na história da curadora, do festival e da cidade.

O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial. Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, este episódio está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.

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