A história da formação dos EUA
Historiadora mergulha nas contradições norte-americanas ao longo de cinco séculos e analisa conquistas e retrocessos na luta pelos direitos civis no país
Terceiro presidente norte-americano, Thomas Jefferson foi um dos mais eloquentes defensores dos ideais de democracia, liberdade e igualdade. Apesar disso, um dos pais da maior democracia do mundo não só foi proprietário de mais de 600 escravos como seu nome encontra-se no centro de uma polêmica que envolve Sarah Hemings, uma mulher escravizada com quem o presidente teve seis filhos. Jefferson encarna uma contradição que ocupa o cerne do dilema norte-americano: uma potência construída a partir de premissas tão nobres convive com a realidade da intolerância, da segregação racial e da brutalidade com os povos nativos. A citação a Jefferson serve de ponto de partida para a historiadora americana Jill Lepore em Estas verdades (Intrínseca, 1.072 pp, R$ 99,90 – Trad.: André Czarnobai e Antenor Savoldi Junior), que chega num momento em que ganham força no mundo inteiro as manifestações de movimentos feministas, como o #MeToo, e os protestos antirracistas do Black Lives Matter. Neste trabalho de reconstrução da trajetória dos EUA, Lepore traça a evolução dos diretos civis no país, com a articulação política em torno de pautas como a união homoafetiva e a legalização do aborto. Às vésperas das eleições presidenciais no país, em novembro, a autora também fala da interferência das redes sociais no processo eleitoral, além da intervenção religiosa na política.
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