Sonhei com Mike Shatzkin
Em sua coluna, Marcio compartilha o seu sonho com Mike Shatzkin e reflete sobre o reconhecimento aos profissionais do livro
Todo mundo sabe que nos sonhos vivemos coisas inimagináveis, boas ou ruins. É dente caindo, morte, pulamos de um precipício, beijamos gente famosa, saímos pelados à rua, fugimos de alguma coisa, conversamos com gente que já morreu. Isso pra dar alguns exemplos. Esse tipo de sonho já não me causa nenhum estranhamento. Mas o último sonho que tive, como diriam meus amigos gaúchos, bah!
Eu estava numa espécie de mall, aberto, com muitas lojas, restaurantes e uma livraria lotada de gente. Nos sonhos não tem pandemia. Fui chegando perto da livraria e vi o Mike Shatzkin lá dentro, sendo fotografado, assediado e ovacionado. Ele ria, com certa timidez, mas com um baita orgulho. E o mais curioso é que ele não era autor, não estava lançando nenhum livro. Ele era o Mike Shatzkin, profissional rodado do mercado editorial, colunista aqui do PublishNews e um operário do livro.
A sensação que ficou desse sonho foi justamente essa: um sonho. Em que realidade um trabalhador do mercado editorial tem esse status de pessoa famosa, só por fazer livros ou falar deles? Nem em Nova York, onde mora o Mike. Óbvio que alguns nomes ficam famosos por conta dos livros, mas geralmente são autores e/ou autoras, não gente que faz o livro acontecer.
Os anos de dedicação ao livro me ensinaram muitas coisas. Vivo de livros há muito tempo. Foi numa editora que conheci Juliana [Albuquerque, com quem Marcio é casado]. Grandes amigos me foram apresentados em eventos literários. Bebedeiras homéricas aconteceram vivendo o livro. Memórias afetivas sempre me despertam imagens do mundo do livro. Acho que pra maioria das pessoas que trabalha com livros é assim. Mas ser famoso como o Mike Shatzkin do meu sonho é forçar demais a barra.
Acordei e fiquei um tempão sentado na cama pensando no sonho, olhando pela janela e imaginando como seria o mundo se os operários do livro, como eu e você, um dia fossem abordados na rua. E, pra minha surpresa, não é que aconteceu? Estava indo ao mercado e uma senhora se aproximou e perguntou como fazia pra chegar na Nove de Julho. Não sou famoso.
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