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O editor fora do eixo

03 de setembro de 2020
3 min de leitura
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Gustavo Faraon, um dos sócios da Dublinense, está no PublishNews Entrevista desta semana

Em 2016, jornalista e editor Gustavo Faraon foi um dos vencedores da segunda edição do Prêmio Jovens Talentos. Na época, ele justificou sua candidatura dizendo que sua “contribuição à indústria do livro foi no sentido de mostrar que uma editora criada fora do grande centro decisório, econômico e cultural, não precisa se contentar com a pecha de ‘editora regional’, e pode sim ter a pretensão de atuar globalmente”. Agora, em 2020, essa missão continua dando certo e foi um dos temas da conversa que teve com André Argolo no PublishNews Entrevista desta semana, programa que tem como objetivo compor um arquivo da memória editorial brasileira.

Já há alguns anos, Faraon se mudou para São Paulo, com o objetivo de ampliar a rede de contatos da Dublinense, editora gaúcha fundada por ele e Rodrigo Rosp em 2009 e que sentiu na pele a barreira de não estar no eixo Rio x SP. “Descobri que é bem difícil ter uma editora considerada brasileira, estando em Porto Alegre, é bizarro! Tudo o que a gente apresentava era considerado muito regional e não brasileiro o suficiente como se nossos livros fossem para serem lidos ‘montado a cavalo’, ou coisa assim”, contou.

Faraon lembra que no dia 31 de agosto de 2009 aconteceu o primeiro lançamento duplo da Dublinense. “Me senti no topo do mundo”, recordou contando ainda que naquela época os lançamentos contavam com vinho, espumante e que na ocasião teve até aluguel de taças. “Parecia um aniversário, uma festa de 15 anos”, brincou. Desde então a Dublinense tem publicado uma média de 10 livros por ano, num processo cuidadoso e muitas vezes demorado. “Queremos sempre publicar o melhor livro e às vezes isso demanda muito tempo. A gente não curte colocar coisa mais ou menos na rua”, disse orgulhoso. E sobre a relação com o sócio Rodrigo, Faraon explica o porque do sucesso da parceria que já dura 11 anos: “Ele confia muito no meu feeling e eu no dele”.

O seu trabalho como editor e sua experiência com os livros também fizeram parte da conversa. Para Gustavo, “editar é um constante exercício de se abrir para outras coisas” e a leitura sempre deve ser leve, prazerosa e verdadeira. “Sou um grande advogado de abandonar livro. Se o livro tá chato eu abandono ele na hora. Ainda mais a gente que tem que ler muito por obrigação – eu sou obrigado a acabar muitos livros – então todo mundo que não é obrigado deveria ficar de castigo quando não abandona um livro que tá achando ruim”, brincou.

Na conversa Faraon falou ainda sobre sua infância, a importância das oficinas de escrita, sobre seus gostos literários, a inspiração para o nome da editora, sua chegada no mundo dos livros – que para ele foi uma fuga do mundo do jornalismo –, sobre a valorização das editoras pelos leitores e também sobre o papel dos influenciadores na disseminação do livro.

O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial. Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, este episódio está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.

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