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O lado invisível

27 de maio de 2020
1 min de leitura

'Um feminismo decolonial' cobre uma lacuna na discussão ao criticar o feminismo branco civilizatório

Livro singular na crítica ao feminismo branco civilizatório, que deixou de lado as demandas das mulheres racializadas do “Sul Global”, mulheres que “limpam o mundo”, cujo trabalho invisível serve ao capitalismo. A cientista política e historiadora francesa Françoise Vergès tem um texto potente para tornar conscientes as relações desiguais entre mulheres brancas e empregadas domésticas e faxineiras, responsáveis pelo cuidado do mundo branco e de classe média e classe alta. Um feminismo decolonial (Ubu, 144 pp, R$ 54,90 – Trad.: Raquel Camargo e Jamille Pinheiro Dias) cobre uma lacuna na discussão sobre feminismo e é especialmente importante no Brasil, que naturalizou a existência de empregadas domésticas em situação de inferioridade, tornadas invisíveis pelo sistema capitalista. “Eu quis destacar neste livro fatos simples, concretos e tangíveis que iluminam a estrutura profundamente marcada pelo gênero, racializada e estratificada que permite à sociedade burguesa funcionar há séculos. Longe de ser um discurso feminista abstrato, esses fatos são visíveis a quem deseja vê-los”, explica a autora na obra.

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Talita Facchini

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