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As coisas e seus tempos

11 de novembro de 2019
1 min de leitura
© Thomás Camargo Coutinho
© Thomás Camargo Coutinho

Em sua coluna de novembro, Luciana Pinsky fala sobre 'o que se vai e o que resiste'

Quebrou a prateleira da geladeira. A maçaneta da porta da frente caiu. Vazamento no banheiro. Copo estilhaçado. Depois do terceiro, parei de contar. Saleiro, troco todo mês. O ferro de passar já era, assim como o aspirador de pó. A máquina de lavar, praticamente nova, não seca mais. Minhas roupas rasgam, a sola do sapato solta, a alça da mala descostura. O celular e o elevador travam, o sistema operacional do computador não atualiza mais. A bateria do livro eletrônico foi embora antes do fim da história e a do carro não durou um ano.

Enquanto isso, a bicicleta acaba de completar 25 anos. Nem pneu fura. Em perfeitas condições está também o livro de capa roxa que comprei e devorei no primeiro ano da faculdade. Ele ainda me emociona. E aqueles óculos escuros que ganhei outro dia prometem.

Equilibrando-me na ciclovia carcomida da cidade penso que tinha de ser assim mesmo. Afinal, as coisas são mais ou menos como os amores e as amizades.

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Luciana Pinsky
Luciana Pinsky

Luciana Pinsky é editora da Contexto, escritora e jornalista. Publicou o romance Sujeito oculto e demais graças do amor (Record) e mantém seu blog de crônicas. Há dois anos publica...

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