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Infinito enquanto rede

16 de setembro de 2019
1 min de leitura
© Thomás Camargo Coutinho
© Thomás Camargo Coutinho

Na crônica desse mês, Luciana Pinsky narra o efêmero relacionamento de duas pessoas que mantiveram um relacionamento virtual, com raros, "mas sempre muito desejados" encontros presenciais

Era tudo uma brincadeira, como já disse o compositor. Um “oi” rápido, um sorriso, um aceno, sempre esporádicos. A frequência foi aumentando, a conversa, evoluindo, surgiram confidências. Encontros. Raros, é verdade, mas sempre muito desejados.

Depois de meses só virtuais, voltariam a se ver. Ficaram duas semanas marcando o encontro, acertando lugar, horário. Chega o dia:

© Thomás Camargo Coutinho– Tudo certo, 8h?

– …

– Tudo certo, G., 8h lá?

– …

– G?

Na terceira tentativa, o perfil dele esvaiu-se: onde antes era um sorriso, agora só havia cinza. Ela percebe que está bloqueada no WhatsApp. No Facebook, ele a eliminara. Instagram, apagou a conta. Não havia como ela alcançá-lo. Foi uma faxina completa. Certamente, entrou em casa e procurou pelos cantos algum rastro dela, cheiro, livro, fio de cabelo, palavras. Apagou todas as conversas que tiveram em tantos meses. Fotos, poucas, foi fácil pôr na lixeira. E, assim, em menos de uma hora ele arrancou, em si, qualquer possibilidade de existência dela. Não terminou, isso não se faz mais. Hoje há formas mais práticas. Simplesmente ela deixou de ser. Será?

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Luciana Pinsky
Luciana Pinsky

Luciana Pinsky é editora da Contexto, escritora e jornalista. Publicou o romance Sujeito oculto e demais graças do amor (Record) e mantém seu blog de crônicas. Há dois anos publica...

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