A vida não é só trabalho
O 25º episódio da PublishNewsTV recebeu Gerson Ramos, diretor comercial da Planeta que tirou a viola da bolsa para cantar e contar um pouco da sua história
O que um “mercador de livros” faz quando tira o crachá? Gerson Ramos, aquele que vive de livros e é diretor comercial da Planeta, tira a viola da bolsa e toca. Ele é o convidado do episódio 25 da PublishNewsTV. Na conversa que ele teve com André Argolo, falou da sua profissão de vendedor de livros, da vida e da sua arte. “Quando entrei numa livraria eu descobri meu mundo”, relembra da primeira vez que entrou na Livraria Brasiliense.
Trabalhando há 37 anos no mundo dos livros, Gerson se considera um workaholic e aprendeu nesse meio tempo a “virar a chave” para separar o trabalho da vida pessoal. Foi aí que apareceu a viola que veio para equilibrar. “A vida não é só trabalho”, definiu.
Quando perguntado como seria, na sua opinião, a livraria perfeita, o “mercador de livros” respondeu que cada um tem a sua. “Acho que a livraria ideal a gente constrói”, disse, lembrando das pequenas e médias livrarias que conseguiram se reinventar e aproveitar a oportunidade para aparecer e fazer diferente mesmo no meio da crise do mercado. Mas respondendo a pergunta inicial, Gerson escolheu a Brasiliense da Barão de Itapetininga – onde começou sua história com os livros – como sua livraria favorita. “A livraria que eu amei, que eu sempre vou amar e que toda semana eu sonho. Muitas vezes sonho que tenho um problema na empresa para resolver, e sonho que estou resolvendo isso na Livraria Brasiliense da Barão de Itapetininga”, contou.
Para quem não lembra da tal livraria, Gerson regatou na memória como ela era, desde a sua aparência – “feia, parecia uma churrascaria” – até o ambiente interno. “Ela tinha uma aura toda incrível, era uma loja dividida em departamentos e cada departamento tinha um vendedor especialista”, relembrou.
Como tudo na vida é um processo, Gerson lembrou também como se transformou no gerente comercial que é hoje. Ele conta que não gostava de exatas nem de tecnologia, mas para entender o mercado e o processo de vendas ele se forçou a aprender. “Eu me envolvi, se é para fazer a organização de um processo de compras eu tenho que mergulhar, entender e aprender. É ai que fui me envolver com tecnologia e isso ajudou a abrir minha mente e eu sou hoje, um fiel devoto do Excel. O melhor amigo do homem não é o cachorro, é o Excel”, brincou.
Na conversa nostálgica, o violeiro falou sobre sua infância, sua grande família, seus pais que vieram do interior do estado para a grande São Paulo, sua herança caipira e deu até uma aula sobre a viola: afinação, camadas de sonoridade, o significado das fitinhas e a história do instrumento. Além disso, deu sua opinião sobre o momento em que vivemos, que envolve política e o discurso de ódio e como um homem dos livros, também falou sobre o que falta para o mercado editorial. “O consumidor de livros, o leitor, ele tem que ter um serviço melhor. Esse serviço passa por gente, instalações e evidentemente passa por uma organização de serviços, de processos. Acho que o nosso maior defeito na área editorial é a falta de processos”, definiu.
Intercalando fala e música, Gerson ainda falou sobre o que o faz chorar, sobre os perrengues que já enfrentou e o quanto acredita nos livros, para ele “não exista nada mais transformador que o livro”.
O programa resgata ainda uma lista dos mais vendidos lá de 2011, Maju Alves conta como está indo o seu desafio e Luciana Sousa deu uma passada na Livraria do Comendador para mostrar o lugar.
O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial.
Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, este episódio está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: Spotify, iTunes, Google Podcasts e Overcast.
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