Saraiva e Cultura dão os primeiros sinais de como pretendem sair da crise
Cultura fala em fim da consignação e Saraiva busca apoio de credores para pavimentar uma recuperação extrajudicial renegociando suas dívidas com deságio de 45% e prazo de 10 anos para pagamento
Em conversas com editores, Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura, tem falado em mudanças no sistema de compras da empresa que traça o seu plano de recuperação judicial (RJ). Ele tem dito que o modelo de consignação já não é interessante nem para a Cultura e nem para os fornecedores e que planeja, para um possível futuro pós-recuperação judicial, que 100% das compras sejam firmes. Tem falado ainda que, já durante a RJ, vai propor que só a metade dos negócios sejam via consignação. Por e-mail, a assessoria de imprensa da empresa confirmou que a livraria pretende acabar com a consignação no médio prazo.
O plano de recuperação judicial da livraria dona de cerca de 15% do mercado varejista de livros no Brasil deverá ser apresentado até dezembro.
Já a Saraiva tem consultado seus maiores credores sobre a possível pavimentação de um caminho de recuperação extrajudicial, segundo noticiou o jornal Valor Econômico. Pela Lei de Falências, a empresa só pode trilhar essa via se pelo menos 60% dos seus credores a apoiarem neste sentido.
Ainda de acordo com o jornal, a Saraiva tem dívida total de R$ 420 milhões, sendo que cerca de R$ 100 milhões estão em atraso. A empresa ainda tem apresentado aos editores a proposta de deságio de 45% e o parcelamento da dívida em dez anos. Saraiva não confirma informações e diz que as negociações são sigilosas. Editores ouvidos pelo diário reclamam do prazo alongado.
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