Dostoiévski e a autoficção
Editora 34 lança ‘Humilhados e ofendidos’, com tradução de Fátima Bianchi
Publicado em 1861, após dez anos de exílio na Sibéria, Humilhados e ofendidos (Editora 34, 416 pp, R$ 76 – Trad.: Fátima Bianchi) ocupa uma posição-chave na produção de Fiódor Dostoiévski. Se por um lado, é sua obra mais ambiciosa até o momento, por outro, suas páginas abrem o caminho para uma forma de romance que vai ganhar corpo nos grandes livros de sua maturidade. Para compor a trama de Humilhados e ofendidos, Dostoiévski coloca no centro da ação a figura do escritor Ivan Petróvitch, que é também o narrador do livro, e cuja vida guarda tantas semelhanças com a sua que não é equivocado ler certas passagens como um ensaio de autoficção avant la lettre — gesto arriscado, que não foi plenamente compreendido pela crítica da época.
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