Incoerências
Em sua coluna, Marcio Coelho fala sobre algumas incoerências do mercado editorial
Sentado ao meu lado no ônibus, um senhor vestindo paletó e gravata que não combinavam entre si – que havia bem pouco tempo bradava para um rapaz sobre ser uma pessoa de bem pra ter futuro nas empresas – abre a Bíblia.
Passo por um morador de rua e sinto um cheiro muito forte da falta de dignidade. Sinto-me mal, não pelo cheiro, mas por não fazer nada por ele. Enquanto reflito sobre isso, paro para atravessar a rua ao lado de duas pessoas perfumadas que reclamam da TV por assinatura.
Caminhando para o almoço, preciso desviar de uma fila enorme que se encaminha para uma lotérica. Enquanto espero as pessoas passarem para que eu possa continuar, duas pessoas da fila conversam sobre como está difícil a situação do país e que apoiam muito o Bolsonaro.
Mas o que essas incoerências têm a ver com livros?
Quando o Leonardo Neto me convidou para escrever o primeiro texto para o PublishNews, antes mesmo de se transformar em coluna, ele me pediu para escrever histórias do nosso mercado. Como nos despedimos da Bienal recentemente, posso contar a história, com base em dados, de que o mercado editorial é uma incoerência absurda.
Na Bienal foram 663 mil visitantes, 197 expositores, 14 espaços culturais, 1.500 horas de programação, 291 autores nacionais, 22 aurores internacionais, 100 mil alunos de 15 mil escolas diferentes, muitos beijos e abraços e um tíquete médio de R$ 161,57.
Empresto uma frase da matéria do PublishNews que traz esses dados pra mostrar a incoerência que vi: Sem um grande varejista (na edição passada a Saraiva tinha um estande de mil m²) instalado no pavilhão do Anhembi, elas [as editoras] nadaram de braçada.
Sacou a incoerência?
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