Sem saber que era impossível, fui lá e soube
Em sua coluna, Marcio explica o porquê da sua ausência nas páginas do PN
Domingo, 18 de março de 2018. Vamos comer? Vamos. Espera, o que é isso? Nossa, parece que rompeu a bolsa. Será? Acho que sim. Vamos para o hospital, então. Espera. (Primeira contração.) Sim, agora vamos. Chamou o Uber? Sim, mas precisamos sacar dinheiro. Vamos. O Uber chegou? Chegou. Foi assim que o Chico apareceu. Antecipando a experiência e arrebatando os dias. E as noites.
Esse parágrafo é pra explicar, não justificar, minha ausência das colunas. Chico chegou, e eu disse a mim mesmo: calma, não é impossível conciliar o trabalho na TAG, a casa, um recém-nascido, as leituras, os textos do PublishNews, a família, os amigos, os filmes e as séries. Sim, é impossível. Chico, mesmo sem saber, me fez refletir sobre as impossibilidades da vida, independentemente de ele ter nascido.
Isso me fez lembrar de uma conversa que tive com um colega quando trabalhei num escritório de tradução juramentada. Eu ainda tinha uns 25 anos (nossa, já faz vinte anos!), cursava a graduação em Letras e me lembro de dizer a ele: “Meu, terminando a faculdade, vou me dedicar às minhas leituras pessoais”. Ele me olhou e disse: “Doce ilusão…”.
Os anos vão passando e você se dá conta de que, sim, há coisas impossíveis. Entender as músicas do Nando Reis cantadas por ele. Não ficar mais nervoso com o Corinthians. Não conviver com idiotas. Impossível ler Machado de Assis e não se apaixonar. Ouvir Something do George Harrison e não chorar. Impossível não ficar triste com a morte do Philip Roth. Não ficar preocupado em demorar pra mandar este texto pro Leonardo Neto.
Impossível mesmo é ter criatividade pra escrever com o Chico chorando, por isso saiu assim, meio confuso, exatamente como a sensação de não ter mais controle das coisas nem tempo pra desenvolver o raciocínio. Hora de trocar a fralda.
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