Marina Colasanti completa 80 e o presente foi meu
Leonardo Neto, editor do PublishNews, conduziu entrevista que marcou os 80 anos de Marina Colasanti
“Ser indicada pela segunda vez ao Hans Christian Andersen; ter ganho o Prêmio Ibero-Americano SM de Literatura Infantojuvenil, no México, e lançar praticamente de uma só vez quatro títulos é uma boa forma de se comemorar seus 80 anos, né, Marina?”. Essa foi a primeira pergunta que fiz ontem a Marina Colasanti numa entrevista que conduzi no jantar em comemoração aos seus 80 anos. Para a minha surpresa, ela respondeu “não!”. Diante da minha cara de decepção (quem conduz uma entrevista em público sabe o peso que um simples “ene-a-o-til” tem na evolução do papo), ela completou: “um bom jeito de comemorar 80 anos é assim: com amigos”, disse apontando para o público que lotou o Restô Ipanema, local escolhido para o evento.
O que Marina sabia antes de chegar ao restaurante era que a Global, uma de suas editoras, preparava um jantar para a família. Ao chegar e encontrar pessoas que acompanham a sua vida há mais de cinco, seis décadas, ela ficou surpresa e emocionada.
Mas o que eu estava fazendo ali? Conheci Marina pessoalmente há menos de um mês! Bom, o aniversário era dela, mas o presente quem ganhou foi eu. Desde março, Cassia Carrenho, ex-gerente comercial do PublishNews e hoje produtora de eventos, e eu resolvemos colocar na rua um projeto que acalantávamos já tinha algum tempo. Queríamos reunir pessoas em torno da comida para contar boas histórias. Nascia, então, o Panela de Histórias. A primeiríssima edição, homenageou Cora Coralina, minha conterrânea, cozinheira de mão cheia e colega de Marina no estrelado casting de autores da Global.
E foi mesmo um presente. Marina foi generosa na entrevista, emocionou a plateia ao contar as suas histórias, ao lembrar da infância na África e na Itália. A biblioteca do avô, onde a pequena Marina folheava livros de moda enquanto sorvia uma cereja embebida no álcool. Os anos da Segunda Guerra vividos na Europa. Os livros que devorava na infância. A chegada ao Brasil. O primeiro talho de mamão: “tinha gosto de purgante!”. A segunda alfabetização, em português. A chegada das filhas, o enamoramento pelo “gato” do Affonso [Romano de Sant´Anna]. A internacionalização dos seus livros. Nenhum assunto ficou sem resposta. Ninguém saiu do restaurante sem se emocionar.
“Chegar aos 80 é estar de malas prontas. Não tenho mais esperanças de aprender mandarim, alemão ou subir o Himalaia, mas estou sempre pensando no próximo livro”, disse. E o próximo livro começa agora a ser distribuído: Quando a primavera chegar (Global), que Marina manuseou pela primeira vez ontem, durante a entrevista.
No fim da conversa, o que me restava era agradecer: à generosidade de Marina; à confiança de Luiz Alves Jr., fundador da Global e quem depositou em nós uma de suas jóias; e ao apoio de Carla Haas, Lucia Riff, Volnei Canônica, Roger Mello e Renato Coelho, pessoas que foram nossos cúmplices nessa brincadeira.
Confira abaixo alguns cliques da festa








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