Diversidade nas ruas de Paraty é destaque em Flip com poucos debates marcantes
Evento tido como elitista teve edição menor, mas com boas surpresas
Nesta edição, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encerrada ontem, mudou. A crise financeira e a diminuição de patrocínios fizeram com que o espaço principal de debates se transferisse de uma tenda com 850 lugares para a Igreja Matriz, onde cabem 450 pessoas. A programação também apresentou novidades, com equilíbrio inédito entre escritores homens e mulheres, além de uma também inédita participação de 30% de autores negros. Mas a mudança principal, facilmente percebida após os cinco dias de Flip, não foi no palco. Foi na rua. Por consequência da curadoria de Joselia Aguiar, jornalista que ocupou a função pela primeira vez — não foi anunciado se ela continua ou não na Flip para 2018 —, o público que veio a Paraty foi claramente mais plural. Havia mais negros, mais mulheres, mais diversidade. Diva Guimarães, uma paranaense negra de 77 anos, professora aposentada que teve a coragem de pegar o microfone e pedir para si a palavra numa festa tradicionalmente elitista, foi a representação de que a voz da rua falou mais alto do que a voz do palco. Ela emocionou Paraty ao recordar episódios de sua vida em que sofreu racismo. O vídeo com sua participação teve, até ontem, mais de 8 milhões de visualizações na página da Flip no Facebook.
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