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Agora sim a Amazon poderá dizer que “chegou” ao Brasil

29 de maio de 2017
2 min de leitura

A Amazon começou em ritmo lento no Brasil. Até hoje, só vende livros por aqui. Mas os tempos de timidez estão ficando para trás

Para uma empresa que domina o varejo americano, o site de comércio eletrônico Amazon vinha se notabilizando por crescer no Brasil num ritmo estranhamente lento. A companhia, que foi fundada por Jeff Bezos há mais de 20 anos e vale quase meio trilhão de dólares em bolsa, começou a operar por aqui há cinco anos. Mas, para felicidade geral da concorrência, a Amazon começou devagarinho. Em 2012, só vendia livros eletrônicos. Dois anos depois, partiu para a venda de “livros físicos”. Mantendo a política de dar um passo de cada vez, no dia 12 de abril, a Amazon anunciou que criaria no Brasil seu marketplace de livros — ou seja, abriria o site para outras livrarias. O que não foi anunciado é que o marketplace de livros é um teste para aquilo que sempre se esperou. A Amazon está se preparando para, até o fim do ano, entrar nos demais segmentos do varejo. Aí, sim, o gigante vai poder dizer que chegou ao Brasil. Segundo apuração da Exame, a empresa lançará nos próximos meses um marketplace nos moldes do que tem nos Estados Unidos. Lá, metade do faturamento da Amazon vem da venda de produtos de outras lojas. É possível comprar tudo, de salmão fresco a violinos. É exatamente o que a companhia pretende fazer no Brasil. As primeiras semanas do marketplace de livros mostram o potencial desse tipo de iniciativa. Em menos de 24 horas, o número de livros em português à venda no site dobrou: passou de pouco mais de 150 mil títulos para 300 mil. Mais de 1 mil vendedores já estão cadastrados no site da empresa, desde pessoas querendo se desfazer de seus livros usados até livrarias tradicionais — como a paulista Martins Fontes e a paranaense Livrarias Curitiba — que tentam angariar novos clientes. “O aumento no volume de vendas justifica nossa entrada, por mais que tenhamos de abrir mão de parte de nossa margem. Estamos recebendo mais pedidos do que imaginávamos”, diz Alexandre Martins Fontes, sócio da Martins Fontes. Há um ano, a Amazon era responsável por cerca de 4% das vendas das maiores editoras do Brasil. Hoje, estima-se que o número tenha passado para 10%. Com redes de livrarias em crise, as próprias editoras se preparam para um cenário em que a Amazon tenha uma fatia ainda maior do mercado. A movimentação mais agressiva da empresa vem num momento de fraqueza do setor.

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Talita Facchini

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