Convidado da Flip, Luaty Beirão defende o uso da palavra contra a opressão
Ativista e rapper angolano passou um ano preso por combater a ditadura em seu país
“Finalmente, ao cabo de 13 intermináveis dias de suplício, posso ler e escrever.” Assim o ativista e rapper angolano Luaty Beirão, de 35 anos, descreve o momento em que lhe deram acesso a livros, cadernos e canetas na cela onde passou um ano como preso político de seu país. E é assim que ele começa a relatar o caso que chamou a atenção da comunidade internacional entre 2015 e 2016, sobretudo após ter iniciado uma greve de fome e seguido nela por 36 dias. Anunciado nesta sexta-feira — junto com a jornalista espanhola Pilar del Río (viúva de José Saramago e presidente da fundação que leva o nome dele) e a escritora angolano-portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida — como atração da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), entre 26 e 30 de julho, ele vem ao Brasil lançar dois livros. Um é seu diário do cárcere, Sou eu mais livre, então (Tinta da China); o outro, uma compilação de suas letras, Kanguei no maiki (Demônio Negro) — “peguei no microfone”, na linguagem das ruas de Luanda.
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