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Amazon muda a tática para vender livros

13 de fevereiro de 2017
2 min de leitura

Agora a rede aposta em livros impressos

Há dez anos, quando Jeff Bezos lançou o leitor digital Kindle em Nova York, ele declarou que “o livro [impresso] é tão altamente evoluído e tão adequado a sua tarefa que é muito difícil tirar seu lugar”. O fundador da Amazon estava certo: nesta primavera americana, apesar da sublevação digital desencadeada pelo Kindle, a Amazon vai abrir uma livraria em Manhattan. Há sinais de renascimento do livro por todos os lados. A rede britânica de livrarias Waterstones voltou ao lucro em 2016, depois de seis anos de prejuízos. As vendas de livros impressos nos Estados Unidos subiram 3%, enquanto as de livros digitais caíram. A revolução no mundo editorial provocada pela tecnologia digital não foi do mesmo tipo que a vista nos setores de música, televisão e notícias: ainda gostamos de livros. Os consumidores gostam do toque e da sensação proporcionados pelos livros impressos: os americanos leem uma média de 12 livros por ano, a maior parte de papel. Também preferem preços baixos e não gostam do fato de que os livros digitais são, comparativamente, caros. Esta é a nova realidade: muitas vezes, os livros eletrônicos de editoras como Penguin, Random House e HarperCollins custam mais do que os de capa dura ou brochura. Os esforços de Bezos, iniciados há dez anos, para promover a adoção em massa do Kindle, com promoções de grandes sucessos a US$ 9,99 e a disponibilidade de livros digitais a preços mais baratos que os impressos, foram perdendo força. Agora, a situação é a oposta: a Amazon prefere os livros de papel. O que estamos testemunhando não é uma revolução bibliófila contra a hegemonia digital de Bezos, mas sua mudança de tática. Em 2016, a Amazon vendeu 35 milhões de livros impressos a mais do que no ano anterior, segundo um analista, e arrebatou ainda mais participação de mercado de seu antigo concorrente Barnes & Noble (B&N). A alta de 2 milhões de exemplares nas vendas das livrarias independentes dos EUA corrobora a tendência.

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Talita Facchini

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