Poesia no labirinto da memória
'Um caderno para coisas práticas', novo livro da poeta Annita Costa Malufe, aborda questões sobre o esquecimento e brinca com a ordem e o caos
Na sala com móveis de madeira lisa e imagens de santos
encimando quatro das estantes de livros, a poeta Annita Costa Malufe recebeu a
reportagem do caderno Aliás (Estadão) enquanto seus dois
gatos varriam o recinto de cima a baixo. As plantas na sacada, o sofá baixo de
tecido cinza escarpado, o azul do azulejo quadriculado sobre uma mesinha de
centro, cada elemento do ambiente diz algo sobre a escritora e professora que
tem como fonte de inspiração nomes como Ana Cristina Cesar, Fernando Pessoa e
Waly Salomão. Os tomos precariamente organizados por assuntos
remetem à poética de sistematização e caos de que a autora trata entre outros
assuntos em Um caderno para coisas práticas,
publicado pela Editora 7Letras. “O caos pode criar uma mania de organização. A
gente vive uma necessidade de tudo muito controlado, calculado, limpo. Isso vai
deixando os homens desesperados quando eles veem que não conseguem alcançar
esse ideal”, diz Annita, que propõe uma forma de “dançar com o caos” em seu
novo livro.
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