Livraria cultura perde vendas e renegocia seus pagamentos
Para 2017, a previsão é de pequena queda ou estabilidade
A Livraria Cultura, referência no varejo de livros, perde
receita e está no vermelho há dois anos. O faturamento de 2016 ficou próximo ao
de 2013. Com vendas em queda e pressionada por custos financeiros salgados, a
varejista abriu negociações com fornecedores para estender prazos de pagamento.
Já foi renegociado o equivalente a cerca de 15% da sua receita anual. Em
entrevista ao Valor, o presidente da Cultura, Sergio Herz, desabafa:
“[Isso] continua ainda porque é uma renegociação difícil. Você chega e
diz: ‘Olha, vamos ter que renegociar prazo’, ninguém gosta. Um cara me disse
que a gente era o ‘paizão’ do mercado. Que todo mundo sempre contava com a
gente, porque a Cultura sempre pagava. ‘Na hora em que você desmonta isso, você
vira o patinho feio’, me disse uma pessoa’. Nessa equação, a questão central
são as diferenças entre prazo de recebimento e de pagamento. O consumidor
compra em até 10 vezes (a venda de livros escolares chega a 12 vezes), e o
comércio tem que pagar fornecedores em até 120 dias (para editoras, em 60
dias). Quem financia o cliente é a loja. E ela repassa esse custo. O problema é
que, em tempos de vendas em queda, o repasse ao preço final fica mais difícil.
Para 2017, não há previsão de novas unidades da Cultura, assim como não
ocorreram inaugurações em 2015 e 2016, o que reduz desembolsos – são 17 lojas,
hoje. A empresa fechou 2016 com receita bruta de R$ 420 milhões, queda de 8%,
sendo que em 2015 houve estabilidade. Para 2017, a previsão é de pequena queda
ou estabilidade.
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