O processo de um racismo mascarado
Perspectiva reedita livro de Abdias Nascimento sobre o genocídio do negro brasileiro
Ao longo do século
passado, prevaleceu a visão de que os descendentes dos africanos se
encontravam, no Brasil, numa condição muito mais favorável do que a vivida
pelos negros no sul dos EUA ou na África do Sul do apartheid. Mais
do que estabelecida, essa era uma visão oficial: o Brasil seria uma “democracia
racial”, um lugar em que o grande problema do negro era a pobreza e não o
preconceito de cor. Foi contra essa falácia que Abdias Nascimento se insurgiu
ao apresentar, no Segundo Festival de Artes e Culturas Negras, em Lados
(Nigéria, 1977), um texto combativo, demonstrando que a condição dos negros no
brasil não era realmente como aquela nos EUA ou na África, era pior. Assim, a
reedição de O genocídio do negro no
Brasil (Perspectiva, 232 pp, R$ 45) não é apenas uma homenagem histórica,
mas a constatação de um fato: a despeito do trabalho dos ativistas e da mudança
da mentalidade na academia, a situação continua inalterada.
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