Autoironia discreta
Realejo lança livro de crônicas de Alexandre Soares Silva
Uma palavra que
poderia resumir bem o livro
A humanidade
é uma gorda dançando em um banquinho
(Realejo, 239 pp, R$ 49,90) se ele não
carregasse alguma solenidade, o que contraria o espírito das páginas a seguir –
é coragem. Não é fácil dizer certas coisas. Menos ainda, sustentá-las sem
piscar o olho, abrindo mão da facilidade de incluir um ”é bem
verdade que”, algum sinal óbvio para o ”homem das exceções” sempre pronto
para se chocar. Alexandre Soares Silva, claro, sabe disso. Uma autoironia
discreta, que poucas vezes se anuncia como tal, indica que até ele deve achar
absurdo alguns dos próprios juízos. O autor sabe tratar, com bom senso, ironia,
leveza e imaginação assuntos que vão da morte e política até a criação de
escolas para ladrões de joias.
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