A história do conto de fadas ‘A Bela e a Fera’ de um jeito que você nunca viu
Nova edição traz o texto original e a versão clássica, que se tornou bem mais famosa
Há poucos registros confiáveis sobre a vida da escritora francesa Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve. Nascida em Paris em 1685, casou-se aos 21 anos, mas enviuvou cedo. Começou a escrever no início da década de 1730, com mais de 40 anos, e manteve um relacionamento com Crébillon, o mais famoso dramaturgo da época e censor literário do rei. Em 1740, publicou o livro La jeune américaine, que reunia várias histórias. Uma delas era A Bela e a Fera. Contudo, o texto do conto de fadas lembrado até hoje não é o de Villeneuve. Dezesseis anos após o lançamento de La jeune américaine, Jeanne-Marie Leprince de Beaumont publicou a sua versão de A Bela e a Fera, bem mais enxuta que a original, na Magasin des Enfants. Agora, os dois textos ganham uma edição em português, com tradução direto do francês, na série Clássicos Zahar. O editor, escritor e tradutor Rodrigo Lacerda, que assina a apresentação da obra, explica que Beaumont era uma educadora reconhecida e influente na época, ao contrário da desconhecida Villeneuve. Por isso sua versão da história alcançou uma popularidade muito maior. Lacerda destaca que Beaumont aproveitou a trama principal, mas excluiu, por exemplo, a vida pregressa dos protagonistas. No texto de Villeneuve, a fera é um príncipe que, por causa da guerra, é deixado pela mãe para ser criado por uma bruxa na floresta. Ele cresce, torna-se um homem bonito e atraente. A bruxa que o criou, apaixonada, tenta seduzi-lo. Um enredo bem pouco infantil. “Encontramos uma edição francesa que tinha as duas histórias, mas quando formos ver, a da Villeneuve estava censurada. Todas essas partes menos palatáveis, digamos, tinham sido retiradas. Nós fizemos uma edição com os dois textos na íntegra”, conta o editor. “Os contos de fada são, às vezes, muito tristes, nem sempre há um final feliz. São muito mais ricos do que as versões pasteurizadas que chegam até nós. As histórias são mais poderosas”.
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