Surrealista que desafiou convenções, Claude Cahun é lançada no Brasil 62 anos após sua morte
Autora usou androginia como ponto de partida para questionar pressupostos identitários
“Neutro é o único gênero que me convém”. Assim se definia
Lucy Schwob, ou melhor, Claude Cahun — pseudônimo de gênero indeterminado da
artista francesa que desafiou as convenções sociais da primeira metade do
século XX. Escritora do movimento surrealista, fotógrafa, narcisa, militante
política e integrante da resistência francesa, deixou uma obra inovadora e
provocativa, que usa a androginia como ponto de partida para questionar os
pressupostos identitários. Publicado agora pela Bolha Editora, mais de 90 anos
após o lançamento original, seu livro Heroínas
traz 16 contos sobre míticas figuras femininas, que reinterpretam modelos e
imagens pré-concebidas do papel da mulher. Mesmo sendo hoje mais conhecida por
suas fotos, Claude se considerava, antes de tudo, uma escritora. Sua obra
literária é composta por cinco livros, incluindo prosa poética (Vues et visions) e uma autobiografia (Aveux non avenus). Heroínas se inspira no Vies
imaginaires, de seu tio Marcel Schwob, que reúne perfis de figuras célebres
ou desconhecidas da Antiguidade. Segundo a escritora Nathanaël, que assina o
prefácio, “o aspecto essencial da obra de Cahun é sua escrita”.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta