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Um olhar sobre a maior feira de livros da América Latina (parte 2)

30 de novembro de 2016
3 min de leitura
No seu diário de Guadalajara, Gil Vieira Sales fala um pouco sobre as dores e as delícias de ser um editor numa feira internacional | © Acervo pessoal
No seu diário de Guadalajara, Gil Vieira Sales fala um pouco sobre as dores e as delícias de ser um editor numa feira internacional | © Acervo pessoal

No seu diário de Guadalajara, Gil Vieira Sales fala um pouco sobre as dores e as delícias de ser um editor numa feira internacional

Feiras de livros costumam ser muito intensas para os profissionais que delas participam. Entre reuniões previamente agendadas ou feitas no improviso, são horas e horas de atividade quase ininterrupta, o que torna os dias muito cansativos. Quando a feira é internacional, então, acrescenta-se a isso as muitas dificuldades de ter de falar, pensar e ouvir tudo em outra língua. No fim do dia, os “pobrecitos” editores (e agentes, ou quem quer que sejam) estão exaustos. A cama do hotel passa a ser o maior objeto de desejo desses trabalhadores dedicados, sem sombra de dúvida.

Tirando essa parte “puxada”, no entanto, sobra tanta coisa boa… Os contatos, as trocas, as promessas e a aprendizagem são experiências tão ricas, tão profundas, que todo o suor que se produz sob o blazer nesses dias de feira é divinamente recompensado. Fechando ou não o negócio – afinal de contas, negociar direitos é o principal objetivo de um profissional do livro numa feira assim -, cada conversa agrega um valor tremendo ao processo de aprendizagem pelo qual estamos passando.

Em Guadalajara, especialmente, a identidade comum latina favorece essa bela troca. Falando com mexicanos, colombianos, peruanos, argentinos e uruguaios (entre tantos outros) nos sentimos mais em casa. Há, definitivamente, uma tremenda semelhança na forma de encararmos as coisas, de tratarmos algumas questões e de conduzirmos certos assuntos. Somos realmente hermanos, mais do que se pode pensar.

Neste ano em que a FIL homenageia toda a América Latina – a “invitada de honor” desta edição – parece que estamos sentindo ainda mais essa irmandade. E que bom é nos reconhecermos por aqui. Sentir que o México é também “um pouquinho de Brasil” (completem a música!) faz os dias por aqui valerem ainda mais a pena.

Projetos editoriais riquíssimos, estandes muito elaborados e lindamente decorados fazem dessa feira uma das mais belas do mundo. É surpreendente e gratificante andar pelas ruas e avenidas (que têm nomes que homenageiam os profissionais do mundo livreiro: contistas, poetas, editores, ilustradores) dos pavilhões do centro de exposições. Afinal, nossa amada América Latina pode e merece sediar um evento tão incrível como esse.

Bem, tudo isso para falar que em meio a toda essa maravilha a gente dá duro sim e que a vida em uma feira internacional não é nada fácil. Mas há tantas recompensas, tanta coisa boa. Na terra da tequila, especialmente, os tacos são divinos, as tortilhas vêm fumegantes e cheirosas, os frijoles e as muitas salsas são saborosíssimos, mas acima de tudo os livros são fantásticos, as pessoas que encontramos por aqui são calorosas e a vida é alegria pura! Tal qual o tão querido México…


* Gilsandro Vieira Sales (ou só Gil para os nem tão íntimos) é coordenador de Literatura Infantil e Juvenil na Editora do Brasil. Bacharel e licenciado em Letras pela USP, tem paixão por livros, cultura e formação de leitores. Atua há quase dez anos no mercado editorial e ama o Brasil – com tudo o que ele representa.

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