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Nos 20 anos da morte do escritor João Antônio, material inédito será lançado em livro

31 de outubro de 2016
2 min de leitura

Reportagens literárias e crônicas musicais estão entre os textos disponíveis no acervo

No dia 31 de outubro de 1996, há exatos 20 anos, numa cena tão crua que parecia saída de um de seus contos, o escritor paulista João Antônio foi encontrado morto por um zelador, que arrombou a porta do seu apartamento depois que vizinhos notaram uma estranha nuvem de urubus pairando sobre o edifício de Copacabana. João já tinha sofrido um infarto havia cerca de três semanas, e cada detalhe do cenário funesto indicava que ele estava preparando uma viagem rápida antes da definitiva: sapatos casados no chão do quarto, camisas dobradas sobre a cama, uma maleta aberta. Aos 59 anos, o premiado autor de Abraçado ao meu rancor, Malagueta, perus e bacanaço e Leão de chácara morreu apoucado, quase esquecido. Com o fim da Cosac, em dezembro, o legado de João perigou mais uma vez. Até o editor Milton Ohata abraçar o arquivo e levá-lo à Editora 34. Literalmente: o material está em duas caixas de polietileno azul, que, encimadas, cabem num abraço. Ao vasculhar os papéis, Ohata encontrou muito material ainda inédito em livro, como longas reportagens literárias, deliciosas crônicas musicais e textos sobre o cotidiano carioca. A boa notícia para os fãs de João Antônio — certamente há um séquito deles ainda jogando sinuca em bares do Rio, São Paulo, Osasco ou Berlim, cidades onde o autor viveu — é que todos esses textos serão lançados pela 34 a partir do ano que vem. E também uma nova edição dos seus Contos reunidos e versões mais acessíveis dos contos separadamente.

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Talita Facchini

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