Mia Couto vem ao Brasil para falar sobre a sua obra
Moçambicano é criador de uma poesia que expressa a 'língua do chão'
Não é novidade que, em seus mais de 30 anos dedicados à
literatura até hoje, Mia Couto transite por diferentes gêneros,
miscigenando-os. O que talvez nem todos saibam é que a poesia, substrato de
criação de sua prosa, é também o gênero em que se deu sua estreia literária, em
1983, com Raiz de orvalho. Poemas desse e de outros livros – Idades, cidades,
divindades, de 2007, e Tradutor de chuvas, de 2011 – são agora selecionados
pelo autor para uma primeira coletânea publicada no Brasil, pela Companhia das
Letras. Apesar do caráter especial dessa edição dentro de uma lista farta em
romances e contos, o mote do encontro em que Mia estará presente, ao lado de
Maria Bethânia, dia 26, na Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47, Lapa – Rio de Janeiro / RJ) (em SP, será no dia
28, em uma unidade a confirmar do Sesc, com Julián Fuks e atores convidados),
em comemoração aos 30 anos da editora, não será essa reunião de
Poemas escolhidos (Companhia das Letras,
192 pp, R$ 39,90; e-book: R$ 27,90), mas o lançamento do segundo romance da
trilogia
As areias do imperador. Isso
porque sua literatura é internacionalmente famosa por sua prosa de ficção. Que
os poemas ocupem outro plano é uma constatação que não os desmerece, apenas
expõe a honestidade de uma voz que admite falar “a língua do chão”. Como
observa José Castello na apresentação do livro, essa é uma poesia de “escrita
rasa, rasteira, sem afetação”. Mais ainda, uma poesia basilar, de sementes que
dão em frutos de fábula no terreno contíguo da narrativa do autor.
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