Em livro, Maria Rita Kehl conta a história da feminilidade no século XIX
Psicanalista investiga a construção da ideia do que é ser mulher e o papel dela no nascimento da psicanálise com Freud
O interesse de Maria Rita Kehl, 64 anos, sobre as mulheres
nasceu da sua dupla condição de mulher e psicanalista. Na clínica, ouviu os sofrimentos
de muitas pacientes que tinham dificuldade de se apropriar de seus talentos e
capacidades por medo de perder o amor de namorados, maridos e, acima de tudo,
do pai. Em Deslocamentos do feminino: a
mulher freudiana na passagem para a modernidade (Boitempo, 232 pp, R$ 57),
sua tese de doutorado defendida na Universidade de São Paulo (USP) em 1997 e
que ganha nova edição após 18 anos, ela analisa os desencontros entre a mulher
e a feminilidade — a ideia construída socialmente do que é ser mulher. Para
isso, Maria Rita faz uma história da feminilidade no século XIX e toma como
objeto o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert.
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