A busca pela simplicidade de Adriana Lisboa
Escritora lança ‘O sucesso’, sua primeira coletânea de contos
Três versos de East
Coker, a segunda parte do longo poema Four
quartets, servem de epígrafe ao novo livro de Adriana Lisboa. “E o que você
não sabe é a única coisa que sabe / E o que possui é o que não possui / E onde
está é onde não está”, escreve T. S. Eliot. Uma potente chave de leitura para
os contos reunidos pela autora em O
sucesso (Alfaguara, 128, R$ 39,90), sua primeira seleta de narrativas
curtas. São nove histórias, nas quais a trama principal eclipsa os pequenos
abismos dispostos sob os pés dos personagens. Seja o homem que vai ao Largo do
Machado prosaicamente entregar documentos e acaba envolvido com uma misteriosa
taróloga. O rapaz em sobressalto com o insuspeito passado da própria avó, num
relato que envolve o beatle George Harrison. Embora escritos ao longo dos
últimos dez anos, os contos guardam notável unidade. Em tom menor, o que está
longe de significar tristeza, parecem esconder alçapões internos. Cada pequeno
ato, por banal que seja, é capaz de acionar o botão da memória, pôr o mundo em
involuntário movimento. O tremor de água que ressoa dentro de um cristal, como
na alegoria de Júlio Cortázar.
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