Por que a Academia Brasileira de Letras insiste em nomear não escritores como imortais?
Seguindo exemplo francês, a ABL optou por também acolher os chamados “notáveis” e os não literatos, explica escritor
Prestes
a comemorar 120 anos, a Academia Brasileira de Letras (ABL) começou reunindo um
grupo de 40 escritores, mas ao longo dos anos, optou por chamar acadêmicos não
literários. A exemplo da Academia Francesa, a nossa também preferiu acolher os
“notáveis” de outras áreas do saber, como diplomatas, juristas e cientistas,
fazendo valer o ponto de vista de Joaquim Nabuco, ampliando o conceito de
“humanidades” e tirando a exclusividade das letras. A ABL, decerto, é generoso
abrigo de nossa memória literária, mas não se limita em respeitar a tradição e
se manter dentro do repertório. Em meio aos percalços e sucessos que lhe
marcaram a trajetória mais que centenária, a ABL persiste como uma casa que
sempre lutou pela dignificação e independência da intelectualidade brasileira,
concedendo simbolicamente a seus membros a fugaz sensação da imortalidade de
uma glória “que fica, eleva, honra e consola”.
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