A revolução digital na era da inclusão
Julia Kastrup procura editoras interessadas em ceder conteúdo à plataforma
Na primeira vez que li um livro digital, o que mais me chamou a atenção foi a possibilidade de se descobrir o significado de palavras desconhecidas com apenas um clique. Já minha mãe, que tem a vista cansada, ficou encantada com a possibilidade de aumentar o tamanho da fonte. Recentemente, eu descobri que, para algumas pessoas, o livro digital concedeu uma possibilidade mais básica: a de ler. Explico: atualmente, há cerca de 39 milhões de cegos no mundo. Só no Brasil, 6,5 milhões de pessoas têm alguma deficiência visual grave. Além disso, 10% a 15% da população mundial é disléxica e, destes, 40% apresentam dislexia severa. Fiz as contas: isso equivale a mais de 400 milhões de pessoas que não podem ter o mesmo acesso que eu, que não tenho nenhuma dessas dificuldades, ao conteúdo de um livro. Isso sem contar com as pessoas que possuem alguma condição motora que impede o manuseio tradicional dos livros físicos. Em maio, quando fui convidada para apresentar a Bookshare para as editoras brasileiras, comecei a entrar nesse mundo até então desconhecido da acessibilidade e busquei entender mais a diferença entre os conceitos de inclusão e integração. A premissa básica do conceito de inclusão é de que a sociedade seja igualmente acessível a todos, enquanto a integração prevê que a sociedade aceite indivíduos que consigam se adequar, fazendo apenas os menores ajustes, como, por exemplo, “até” aceitar uma criança com deficiência mental, mas só se se ela conseguir acompanhar a turma.
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