Devo anunciar meu livro?
Paulo Tedesco defende, em sua coluna no PublishNews, que autores autopublicados precisam focar no contato direto com seus leitores na hora de promover seus livros
Alguém sabe o melhor marketing para o livro? Talvez o pessoal das grandes editoras saiba, na ponta da língua, afinal devem conhecer seus pontos de venda e suas posições de gôndola em grandes varejistas, virtuais ou não, como ninguém. E assim se divertem com novos estratagemas e ações de PDV a cada novo título e autor.
Mas, para o autopublicador, como fica? Pois não se vê a utilização de espaços publicitários tradicionais para se promover um livro. Existe, mas é caro e incomum. Anúncio publicitário em televisão e rádio, outdoors e painéis iluminados, anúncio de página em jornal de boa circulação e até brindes são tão raros como alguém dizer que conhece javanês.
Se um livro comprado não é necessariamente lido, e um livro lido não é necessariamente comprado, como resolver a equação? Entra aí, então, o outro lado do livro: o leitor. Sim, é preciso trabalhar o leitor, ou melhor, a leitura. É preciso estimular para que o título seja lido, e que seja conquistada a atenção do leitor. E, dessa atenção, possa ser retirado algum interesse pela leitura.
Portanto, o foco, me parece, precisa ser cada vez mais o leitor, a promoção da leitura. Essa, possivelmente, a explicação do porquê as grandes editoras procurarem blogueiros para resenhar seus títulos em substituição aos desaparecidos críticos literários, que escreviam nos jornalões as suas (quase sacrossantas) opiniões.
Mas, e as redes sociais, onde entram? E os anúncios pagos no Google e outros, como se faz? Onde é que tudo entra no cálculo do marketing para o livro? Devemos correr atrás da MSN, Terra, UOL, Yahoo, e outros para gastar o dinheiro com anúncios do livro? Pois ao contrário dos veículos tradicionais, nesses novos e digitais poderemos monitorar a visualização, e assim quantificar o alcance de nossos investimentos publicitários?
O conhecimento dos antigos já dizia que o diabo sabe porque é velho e não porque é diabo. Em outras palavras, é preciso começar a estudar e a se questionar antes de sair gastando e perdendo tempo com o que possivelmente não traga resultado algum. É preciso, antes de tudo, conhecer com profundidade do que agir por impulso.
Urge conhecer nossos leitores e é essa a melhor resposta sobre anúncio de livros. O editor e o autor têm que sair da toca. Expor seu conteúdo das melhores formas e mais baratas possíveis.
Tem que trabalhar em rede, como alguns blogueiros fazem. Tem que posicionar seu título com estratégias de promoção que comecem nos primeiros planos para lançamentos e promoção do livro e que se estendem até as atividades em torno do conteúdo após os autógrafos iniciais.
E trabalhar em rede implica, por exemplo, em pensar e produzir vídeos curtos com os autores, para serem disponibilizados no YouTube ou Vimeo e onde mais for possível. Depois, trabalhar esses vídeos com as redes, pedindo, sempre, um retorno do leitor. Aliás, publicar por publicar, também não funciona. Tem que arremangar e entregar-se ao leitor e à leitura.
A maior prova de que o leitor é o caminho, é que, hoje, o e-mail e seu uso nas tais mailing lists, é ainda considerada uma das mais eficazes formas de se levar o conteúdo ao leitor. Portanto, tem que começar a guardar e trabalhar nossas listas de endereços eletrônicos dos leitores em potencial, e se lembrar que por trás de cada endereço há alguém como você, curioso por novidades ou enfastiado com repetições e sempre disposto a conferir algo interessante. Depois não adianta chorar quando não só não há vendas, como opinião nenhuma acontece sobre o livro.
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