O último adeus
Eric Nepomuceno, tradutor de 'Caçador de histórias' escreve sobre a obra do autor uruguaio Eduardo Galeano
Os 210 textos curtos que, divididos em três partes, ocupam as 264 páginas de O caçador de histórias, são o adeus final de Eduardo Galeano (1940-2015). São seus escritos derradeiros: quando o livro foi lançado pela editora Siglo XXI da Argentina, em abril, fazia exatamente um ano que ele tinha morrido. Em seguida, apareceram edições na Espanha, na Colômbia, no México, e mundo afora. No Brasil, a edição da L&PM foi para as livrarias no fim de maio. E uma vez mais, honrou-se a tradição de a primeira tradução de um livro de Eduardo ser a brasileira. Tem sido assim desde os contos de Vagamundo, num distante 1976. Há uma exceção: As veias abertas da América Latina. É que em 1971, quando esse livro, que consagraria seu autor, foi publicado, havia a férrea censura imposta pela ditadura brasileira. A primeira tradução só apareceu aqui muitos anos depois de sua edição original. O caçador de histórias é, em primeiro lugar, Eduardo Galeano em estado puro, e em seu pleno esplendor. Aqui estão todos os riscos que resolveu enfrentar por conta própria desde o longínquo ano de 1975, quando começou a escrever Dias e noites de amor e de guerra.
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