Ignácio de Loyola Brandão chega aos 80 e prepara retorno ao romance
Escritor reflete sobre literatura, memória, tempo e a influência do pai
Ignácio de Loyola Brandão não gosta da ideia de que suas lembranças e as histórias que viveu caiam no esquecimento – dele, inclusive. Por isso também, ele escreve. Mas garante que faz isso tudo sem nostalgia e que jamais entraria na máquina do tempo e voltaria para a Araraquara da sua infância e juventude. “Meu tempo é esse”, afirma. O mundo era pequeno, tudo era proibido. Não havia diversão em sua cidade, tão cheia de preconceito. Nem telefone, ele reclama. “Gosto de fazer essa memória para não perder essas coisas”, diz. Mas Ignácio, nascido em 1936, viu esse mundinho crescer e se tornar global. O homem pisou na lua, Elvis, Beatles e Rolling Stones surgiram, o computador foi criado, todo mundo passou a andar com um telefone no bolso. Viveu a ditadura e a democracia, mas nunca, porém, nesses 80 anos que completou no domingo, dia 31, viu tanto ódio, incompreensão, agressão e despautério como vê nesses dias tão complicados. E a perplexidade despertada pelo momento atual o levou a fazer algo que não fazia há 10 anos: escrever um romance. O livro novo, Se for pra chorar que seja de alegria (Global; 184 pp.; R$ 39,90), não faz exatamente uma reflexão sobre o Brasil de hoje, mas reflete esse país que vem assombrando o escritor.
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