Marcelo Mirisola capricha no sadismo em ‘A vida não tem cura’
Com novo romance, autor faz um retrato cruel da geração 90: 'copiaram a nossa'
Quem narra o novo romance de Marcelo Mirisola é um personagem chamado Luis Guilherme – “o corno do All-Star vermelho”. Quem o “corneia” é Natasha, talvez a mais cruel da lista de personagens sádicos e descontrolados que Mirisola criou na sua obra – A Vida Não Tem Cura (Editora 34, 88 pp., R$ 35) é o seu sétimo romance de um total de 17 livros. Mirisola vem falando que este livro fala de uma “geração cover”, que cresceu e se multiplicou nos anos 1990. Mas qual é a diferença entre eles e a geração do escritor, imediatamente anterior? “A diferença fundamental é que eles copiaram a nossa. Coitados”, aponta. E a geração seguinte, mais jovem? “Triplamente estropiados, com o agravante das redes sociais, do pelo no sovaco das minas e do Tinder para niná-los.” O romance traz temas não estranhos para quem tem alguma familiaridade com a obra do escritor: prostituição, crimes, muitas doses de álcool – mas amplia a abordagem ao tratar de assuntos sensíveis, como a violência contra a mulher e relacionamentos com travestis, com a mesma estética provocante.
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