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Pilar del Río diz estar no Brasil por ‘dever cívico’

04 de julho de 2016
2 min de leitura

Em Paraty pela primeira vez, viúva de Saramago prepara edição ilustrada por J. Borges

Pilar del Río, “que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”, como escreveu certa vez numa dedicatória o português José Saramago (1922-2010), seu marido nos últimos 22 anos de vida, tardou a chegar, é bem verdade, não só à vida do escritor, como à Flip, encerrada no último domingo. Apesar dos inúmeros convites da organização do evento e da homenagem da festa feita ao escritor no ano da sua morte, em 2010, a jornalista e “presidenta” da Fundação Saramago nunca havia conseguido ir a Paraty. Esta é a primeira vez, e Pilar participou da programação da Casa Cais, que neste ano funcionou como uma embaixada afetiva da língua portuguesa na cidade, idealizada e dirigida pela compositora Luana Carvalho. Ao Globo, Pilar contou que está envolvida num projeto especial: um grande encontro, póstumo e inédito, “entre os dois Josés”, Saramago e o artista brasileiro José Francisco Borges. Ideia de um editor argentino radicado em Barcelona, Alejandro García Schnetzer, a crônica fantástica O lagarto, escrita por Saramago em 1972 (texto em que o autor vislumbra uma flor vermelha caída no Chiado, e a Revolução dos Cravos só aconteceria em Portugal dois anos depois), ganhou xilogravuras exclusivas do artista pernambucano, que, aos 81 anos, abriu uma exceção para fazer esse trabalho, “que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”.

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