Enfrentar os próprios silêncios é o grande desafio do Brasil
Na Flip, Benjamin Moser e Kenneth Maxwell dividiram mesa para debater os rumos do País
O norte-americano Benjamin Moser e o britânico Kenneth Maxwell dividiram a primeira mesa da Festa Literária Internacional de Paraty na última sexta-feira (1º) para discutirem o Brasil. Entre críticas à composição do governo interino e a discussão do imperialismo à brasileira, os debatedores apontaram para a mesma conclusão: o País (ainda) não enfrentou os seus próprios silêncios. “Agora esse governo interino, composto inteiramente por homens de 70 anos, vai ser uma inovação”, ironizou Maxwell, para aplausos e gritos de “fora, Temer” da plateia. O historiador, que é diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Harvard, acredita que esse possa ser o fim do ciclo que havia começado com a queda da ditadura militar. “É um momento profundo de transição no mundo todo”, apontou. Maxwell, autor de clássicos da historiografia nacional, como A devassa da devassa (1974), também confessou sua perene surpresa com o nível “altíssimo” de corrupção no Brasil. Ao mencionar de passagem o trabalho do juiz Sérgio Moro, ouviu os aplausos de uma única pessoa do lado de fora da tenda dos autores.
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