Marcelo Mirisola: “O obsceno e o religioso são os dois divinos”
Marcelo Mirisola, provocador, desbragado, erudito, é autor de 18 livros mas só agora chega a Portugal com dois romances em simultâneo
Polémico, provocador, pornográfico, incômodo e inconveniente. São apenas alguns dos muitos adjetivos usados para classificar Marcelo Mirisola, o escritor de 50 anos com 18 livros publicados no Brasil e até agora sem edição em Portugal. Para se perceber a decisão de André Jorge, o editor da Cotovia, em publicar agora em simultâneo dois romances de Mirisola — O azul do filho morto, título inspirado em Georges Bataille, e Bangalô —, é preciso juntar a esses adjetivos mais alguns. A obra de Mirisola é de uma vincada rebeldia, levando ao extremo a ideia de transgressão. Moral, sexual, de linguagem, política, religiosa, revelando um raro domínio da língua e uma erudição invulgares, mas sem que nunca se sinta exibicionismo. O excesso é um estilo. Goste-se ou não. E suporte-se melhor ou pior o vernáculo, conceito que o autor prefere ao de palavrão. Em Lisboa, na primeira vez que sai do Brasil onde acaba de publicar o seu 18º livro, Marcelo Mirisola diz porque é que o livro é sempre melhor do que o autor, e a obra é feita de muito trabalho braçal até encontrar a tal voz que faz a diferença. A dele é arriscada, assume, e só chegou lá porque, diz, teve a “felicidade de ser muito recusado no início”
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