Em livro, Aguinaldo Silva lembra seus tempos de repórter no Rio
Novelista fala da época em que viveu entre bandidos e policiais nos anos 1970
O início da carreira de Aguinaldo Silva como repórter policial foi quase por acaso. No começo da década de 1970, o hoje consagrado novelista trabalhava como copidesque da editoria de Cidade do jornal O Globo quando caiu nas suas mãos uma entrevista com a vedete Wilza Carla, conhecida por arrumar seguidas confusões. Aguinaldo conta que “virou o texto pelo avesso”, para dar mais sabor à história, e o caso ganhou chamada na primeira página do jornal. A partir daí, o diretor de redação Evandro Carlos de Andrade decidiu que ele seria responsável por editar todas as reportagens da recém-criada editoria de Polícia. Da redação para as ruas, foi um pulo. Em suas andanças pelo Rio de Janeiro, da Zona Sul à Baixada Fluminense, escreveu reportagens sobre casos célebres, entrevistando de delegados a chefes de grupos de extermínio. Suas memórias da época, e os textos publicados nos jornais alternativos Opinião e Movimento, compõem o recém-lançado Turno da noite — Memórias de um ex-repórter de polícia (Objetiva, 200 pp, R$ 39,90). Inicialmente, Aguinaldo escreveria só uma apresentação para as reportagens reproduzidas no livro, mas se alongou e fez um detalhado relato memorialístico.
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