Dezsö Kosztolányi e olhar irônico sobre a humanidade
Obra do húngaro ganha reedição no Brasil depois de 20 anos
A nova edição de O tradutor cleptomaníaco e outras histórias de Kornél Esti (Editora 34; 136 pp.; R$ 34 – Trad. Ladislao Szabo), do húngaro Dezsö Kosztolányi — publicada 20 anos após sua primeira edição no Brasil —, é a chance de conhecer melhor um dos mais instigantes autores da literatura moderna da Hungria. A coleção Leste, nesse sentido, continua sendo uma importante porta de entrada para a produção literária dos países dessa região da Europa. Escritos por Kosztolányi nos últimos anos de sua vida, os 13 contos desse livro narram as aventuras de Kornél Esti na Budapeste e em outras cidades europeias dos anos 1920. Esti revela os bastidores de uma cena literária, expondo, em O pai e o poeta, a mesquinhez e o egoísmo próprio ao pedir opinião a um amigo, preocupado com o filho doente, sobre um poema que ele acredita ser “uma criação duradoura”. Revela, de alguma forma, como muitos manuscritos não são lidos quando entregues a alguém, como no caso de O manuscrito. A cena literária atravessa os contos de Kosztolányi não só com o sentido de relevar comportamentos vaidosos, mas também no diálogo que é estabelecido, por exemplo, com Charles Baudelaire em O chapéu, uma espécie de “tradução” de A perda da aureola com toques das gags de Buster Keaton.
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