Premiado na França, Marcello Quintanilha discute cultura do abuso em nova HQ
‘Hinário nacional’, que sai pela Veneta, é rico em metáforas que provam que história em quadrinhos está longe de ser um entretenimento só para crianças
Assim como toda a obra de Marcello Quintanilha, Hinário Nacional (Veneta, 136 pp, R$
49,90) reflete um aspecto da sociedade brasileira que todos resistem em
enxergar. A brutalidade da violência cotidiana é registrada sem acobertamentos:
os agressores e as vítimas, na visão do autor, formam todos um sistema que tem
o objetivo de esconder sua própria sujeira. Em vez do forte colorido de seu Tungstênio (Veneta – 2014), trabalho
premiado no Festival de Angoulême no início do ano, o recém-lançado Hinário Nacional apresenta um Marcello
Quintanilha mais sóbrio, apostando na combinação de preto e branco. O
quadrinista, porém, mantém a crueza da narrativa e a riqueza das metáforas para
provar que história em quadrinhos está longe de ser um entretenimento só para
crianças. O quadrinista brasileiro mora
na Espanha há quase dez anos, mas volta ao Brasil para participar de eventos
como a Comic Con Experience. Ele já está confirmado na próxima edição da festa,
que ocorre de 1º a 4 de dezembro no São Paulo Expo.
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