Editoras discutem sistema de consignação
Usada há 20 anos, prática de compra ainda carece de regras definidas
Quando Charles Cosac, sócio-fundador da Cosac Naify, decidiu fechar sua editora, em novembro, alegou que um dos motivos era o problema da consignação. “A nossa editora não aguentava mais os prazos cada vez mais esticados da consignação. Isso impactava nosso capital de giro. As informações que as livrarias nos davam sobre o consignado vendido demoravam ou não eram precisas. A consignação, em muitos casos, é uma perversidade para o editor”, desabafou Cosac. O sistema de compra do mercado livreiro foi disseminado em larga escala em 1996, quando Ivo Camargo Júnior era gerente de vendas da Companhia das Letras. Na ocasião, a editora viu que havia possibilidade de ganhar mais espaço no mercado, consignando seus títulos mais vendidos. O problema da consignação é que ela nasceu sem um conjunto de regras definidas, atesta Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). “Mais cedo ou mais tarde, essa falta de regras iria levar a essa animosidade que encontramos hoje entre editoras, distribuidores e livrarias”. Marcos da Veiga Pereira, que é sócio-diretor da Sextante e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), revela que a consignação nunca foi empecilho. “Não acho que a consignação por si só seja um modelo errado. A consignação sem um mecanismo de transparência e controle é um modelo errado”. Tanto a Livraria Cultura, quanto a Travessa e Curitiba alegam que investiram em sistemas de informação mais eficazes que ajudam na prestação de contas mais rápida e precisa. Desde que o livro é consignado até o pagamento do que foi vendido, o prazo de acertos (pagamentos) não passa de 90 dias. As editoras dizem que investem nos seus sistemas de informações. Sabem que a consignação é “um mal necessário”, até porque o mercado livreiro não voltará à compra direta (à vista).
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