Editores questionam dados de matéria publicada pela Folha
No último sábado, jornal trouxe matéria sobre a situação do mercado de livros digitais no Brasil e para basear-se, apresentou dados de vendas de e-readers no País
O coletivo Amigos dos Editores Digitais (AED) enviou carta à Folha de S.Paulo questionando dados apresentados em matéria veiculada no último sábado (9), com o título Mercado de livros digitais não decola no Brasil e estagna nos EUA e Europa. Na matéria publicada no caderno Mercado, o jornal traz dados apurados pela consultoria Euromonitor, que afirma que as vendas de e-readers no Brasil estão estagnadas, passando de US$ 2,3 milhões em 2014 para US$ 2.4 milhões no ano passado, o que vislumbraria, segundo o jornal, um “freio” no mercado de livros digitais. Os AEDs questionam essa informação. “Avaliar o desempenho do mercado de livros digitais no Brasil em função do número de e-readers vendidos é uma falácia, pois não leva em conta a leitura em tablets e smpartphones”, diz a carta assinada por Eliana Sá (Sá Editora), Gabriela Aguerre e Gabriela Erbetta (Alpendre), Gabriela Dias (AED), Suria Scapin e Isabela Parada (Pipoca), André Palme (O Fiel Carteiro), Eduardo Melo (Simplíssimo) e Marcelo Gioia (Bookwire).
A carta traz ainda dados do instituto de pesquisa IDC que aponta a comercialização de 5,8 milhões de tablets e 47 milhões de smartphones em 2015 e ainda dados do IBGE que demonstrou que o celular já é o principal meio de acesso à internet nos domicílios brasileiros.
O documento questiona ainda a comparação entre as vendas de livros em papel e e-books. “Não parece justa a comparação entre o mercado de livros físicos, estabelecido há mais de século, e digitais, com pouco mais de uma década no mundo e menos de cinco anos no Brasil”, contra-argumenta a carta. Os AEDs rebatem a matéria trazendo dados do Global e-book report que afirma que os livros digitais perfazem 4,27% das vendas de livros no Brasil. “Apesar de ainda ser pouco, não é um número insignificante”, diz a carta.
Finalizando, os AEDs escreveram que trabalham com dedicação e perseverança para que o formato digital seja cada vez mais conhecido e colabore para a ampliação do público leitor no Brasil. “Para isso, é importante não tratarmos do assunto em termos de ‘livros físicos versus e-books’. Há espaço para todos”, conclui a carta.
Na edição de ontem, o PublishNews trouxe uma coluna assinada por Camila Cabete, em que ela falava também sobre a matéria publicada pela Folha e refutava as informações trazidas por ela. O artigo logo ganhou as redes sociais e amealhou defensores que replicaram a matéria mais de mil vezes só no Facebook, além de mais de 30 comentários.
Confira abaixo a íntegra da carta enviada à Folha pelos AEDs
“Prezados,
em referência à reportagem “Mercado de livros digitais não decola no Brasil e estagna nos EUA e Europa”, publicada no dia 09/04, gostaríamos de fazer algumas considerações.
Avaliar o desempenho do mercado de livros digitais no Brasil em função do número de e-readers vendidos é uma falácia, pois não leva em conta a leitura em tablets e smartphones. Apenas em 2015, segundo o instituto de pesquisa IDC, foram comercializados, no país, 5,8 milhões e 47 milhões de unidades desses aparelhos, respectivamente. Dados divulgados pelo IBGE no dia 06/04 mostram que o celular já é o principal meio de acesso à internet nos domicílios brasileiros. Além disso, existem outros caminhos de distribuição do conteúdo de leitura digital que não apenas as lojas.
Também não parece justa a comparação entre o mercado de livros físicos, estabelecido há mais de século, e digitais, com pouco mais de uma década no mundo e menos de cinco anos no Brasil. Apesar dessa diferença, as vendas de e-books já representam 4,27% do mercado (número veiculado na coluna “Painel das Letras”, no mesmo dia 09/04, referindo-se ao Global E-book Report feito por Rüdiger Wischenbart, a ser divulgado na London Book Fair no dia 14/04) Apesar de ainda ser pouco, não é um número insignificante.
Trabalhamos com muita dedicação e perseverança para que o formato digital seja cada vez mais conhecido e colabore para a ampliação do público leitor no Brasil. Para isso, é importante não tratarmos do assunto em termos de “livros físicos versus e-books”. Há espaço para todos.
Coletivo AED (Amigos dos Editores Digitais):
Eliana Sá (Sá Editora), Gabriela Aguerre e Gabriela Erbetta (Editora Alpendre), Gabriela Dias (AED), Suria Scapin e Isabela Parada (Editora Pipoca), André Palme (O Fiel Carteiro), Eduardo Melo (Simplíssimo), Marcelo Gioia (Bookwire)”
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta