No festival literário de Macau, autores brasileiros discutiram a situação política do País
Escritores se posicionaram para uma plateia feita de chineses e portugueses; mercado editorial chinês também foi tema de debates
Estimulados pela participação atenta da plateia presente no prédio do antigo Tribunal de Macau, onde os eventos do Rota das Letras ocorrem, os brasileiros Caroline Rodrigues, Felipe Franco Munhoz e Marcelino Freire concentraram a discussão da mesa que dividiram em Macau na política brasileira, e em como os escritores se relacionam com ela no Brasil. “Eu me sinto mais político quando estou produzindo um evento de literatura há 11 anos num país em que se lê muito pouco”, disse Freire, que, mesmo assim, se posicionou: “Estou pronto para a guerra. Existe uma caça à esquerda e temos que estar preparados”. Outro painel interessante foi o que discutiu os desafios de se publicar livros na China continental. O editor e poeta chinês Shen Haobo falou sobre sua profissão sem embaraços: “sou um editor capitalista e, quanto pior os livros, melhor eles vendem”. Ele afirmou que a recente difusão das redes sociais é um fator que influencia a atual boa fase do mercado editorial chinês, já que ficou “fácil” vender livros de autores que possuem milhões de seguidores. Questionado sobre a censura oficial do país, ele foi melancólico: “Na China, nós obedecemos”.
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