O editor da “nova direita”
Carlos Andreazza, coloca em evidência pensamento conservador
Não era apenas a estreia de um novo profissional. Começava um tempo mais austero no mercado de livros. Carlos Andreazza participava de sua primeira Feira do Livro de Frankfurt como editor-executivo, em 2012, na área de títulos estrangeiros do Grupo Editorial Record, um dos maiores do país. “Fui recebido como um rei. Todos queriam me dar as boas-vindas.” Naqueles dias, o Brasil parecia robusto em meio à crise mundial. Quando acabou o evento, o mais concorrido internacionalmente na área, ele havia comprado apenas três títulos. “Quebrei as expectativas. Antes, três títulos era o que se acertava a cada reunião. Entenderam que tudo tinha mudado.” Seletivo nas escolhas para não desperdiçar em títulos de resultado incerto, o jovem editor intuía que o autor nacional ocuparia mais espaço – e daria para diminuir a contratação de estrangeiros. Com a alta do dólar, a decisão se revelou acertada financeiramente. Nas conversas com Sérgio Machado, presidente do grupo, Andreazza entendera que havia um cenário artificial, com adiantamentos altos. “Ele estava certo. Havia algo errado ali e em dólar. Aquilo era insustentável.” O investimento em dólar decorre hoje de “longo exame”. “Percebo que editores vão a Frankfurt para se explicar, para dizer que o sonho acabou, a fonte secou, para renegociar etc. Viajam para dar satisfação por terem pisado no chão. Seria desesperador ter minha programação dependente de lançamentos estrangeiros.”
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