Paulo Scott traz em seu novo livro o paradoxo de ‘viver de literatura’
Personagem central do romance ganha prêmio como escritor
O ano em que vivi de literatura (Foz, 256 pp; R$ 39,90) é um livro que encanta o leitor a partir de seu título. O achado – irônico – que dá nome ao romance do gaúcho Paulo Scott tem o mérito de produzir curiosidade com o paradoxo de “viver de literatura”. Ao longo da narrativa, percebe-se que os termos “viver” e “literatura” vão sendo matizados e relativizados, até o ponto em que já se tiver percebido que Graciliano, o escritor que protagoniza a obra, mal vive e mal escreve. “Viver de literatura”, no caso do livro de Scott, é dilapidar, ao longo de um ano, um prestigioso e polpudo prêmio literário (de R$ 300 mil) alcançado com um pequeno romance, publicado por uma editora menor, à revelia do editor da editora comercial com a qual Graciliano tem contrato. Obtido o prêmio e de posse do dinheiro, o protagonista gaúcho, de cerca de 40 anos de idade, solteiro, sem filhos, tem a possibilidade de realizar o sonho de muitos escritores brasileiros: ficar um ano livre de pressões econômicas e disponível para se dedicar a seu ofício.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
